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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Ceder à tristeza...(pois, pode ser a única forma de ela ir embora!!)

Podia ser um simples paradoxo, mas, não acho que há algum que seja assim....simples!!

A tristeza está ali...as vezes em silêncio, as vezes grita. 

Silêncio ou barulho, ambos doem! 

A tristeza pode ser dolorida, e como forma de auto preservação, pois nem todo mundo gosta de sentir-se triste, escondo a dor. Me escondo da dor. Esqueço ela na esperança que ela se esqueça de mim... 

E, aí vem o paradoxo - pois, no intuito de fugir da dor ou não senti-la, procuro os "meios de cuidar de mim" e daqueles que amo. Aí, na onda do cuidado e autocuidado, o dia se enche de afazeres, a agenda fica lotada e, mil coisas só podem mesmo é fazer a tristeza sucumbir. 

A tristeza vai embora, ou melhor, fica espremida dentro do corpo, da mente, que agora faz mil outras coisas. Mas, a tristeza fica lá apertada e esquecida tem-po-ra-ri-a-men-te. 

Depois de passar um tempo em segundo plano, ela retorna e, acompanhada da dor. Ambas surgem com mais força, dão sinais físicos agora e, diante de tantos afazeres, volto a sufocá-la e, o faço por dois motivos: a própria dor que não quero sentir e, a agenda cheia que não me permite ter tempo de sentir dor. 

Nessa vibe, escondo a tristeza junto. Me afogo em mais compromissos, além de demandar um tempo precioso cuidando de gente(s). 

Mas a tristeza está lá... gritando para ser ouvida, acenando para ser vista...a dor já deu todos os sinais e, agora já não é possível suportar....já não suporto, mas falo comigo mesma: "Você consegue! Você é forte! Esquece essa dor! Você não pode, não deve e não precisa ficar triste por isso!". 

No pano de fundo está: "O que vão pensar de você? Você precisa aguentar para dar um bom exemplo!". 

E, a mais pura realidade é que, quero chorar. Quero muito chorar MINHA dor, MINHAS angustias, MINHAS frustrações e MINHAS mágoas. São minhas, e de mais ninguém. Doem em mim e, em ninguém mais. 

Chego à conclusão, por mais dolorido que seja aceitar isso, que preciso sentir essa dor para que ela possa passar. Preciso....mas não quero, pois é triste sentir dor, dói sentir dor. Já não sei o que fazer... 

O paradoxo de tentar sair da dor, fugindo dela, preenchendo dias, horas, minutos e segundos com coisas a fazer, me tirou a chance de sentir a dor, chorar com ela, me deprimir e talvez (mas só talvez) colocar para fora e deixar ela ir embora. 

A dor está aqui. Me deprimindo cada vez mais e, me deixando cada dia com menos motivos para sorrir. Eu sigo enfrentando meu paradoxo, mas refletindo a possibilidade de chorar mais, ficar sozinha em meu quarto mais, silenciar mais, e me deixar deprimir mais. 

Não conseguindo dar vazão à tristeza e a dor, não vejo mais opção senão senti-las....na íntegra e pelo tempo que for necessário e suficiente.... 

Nesse momento, que eu possa ser minha melhor amiga e que o universo conspire a meu favor um pouco com ventos que tragam mais alegrias aos meus dias e levem um pouco dessa tristeza!!

Aos pensadores de plantão....uma grande onda de boas energias pra vocês e pra mim...bjo grande!


Imagem de morramed_hassan (https://pixabay.com/images/id-4364348/) 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

SOBRE "ESTAR" NO SETEMBRO AMARELO (DE FATO)

Setembro....nem acredito que já chegamos nele e, que ele está acabando....

Eu, como em outras postagens, fiquei postergando para escrever essa. Não porque não queria escrever, mas porque não queria lembrar. Não abracei a campanha do setembro amarelo nas minhas redes sociais também, não porque não a ache importante, mas também porque não queria lembrar. Não falei de setembro amarelo, ou de prevenção ao suicídio, não porque não precise ser falado, mas pura e simplesmente, porque EU não queria lembrar!

Alguns já sabem o que eu tento diariamente esquecer, outros talvez desconfiem e, eu não falo ou escrevo abertamente disso, a não ser para pessoas muito próximas, pois isso envolve uma exposição, mesmo que no imaginário, pela qual ninguém precisa passar.

Foi 19 de março, há um pouco mais de seis meses. Era algo que estava ali no corpo, na casa, na maneira de levar a vida, nas escolhas. O peso que carregar aquele corpo já lhe representava, naquela casa que o tornou infeliz, levando uma vida miserável, cheia de escolhas ruins. Aquela vida pedia constantemente para ser mofificada ou invalidada de vez. Ouvi diversas vezes "eu não consigo mais, preciso de ajuda", "eu penso em me matar todo dia", "eu fiz tudo errado"....e, apesar disso, fomos - eu, meus pais e minha irmã - tentando dar o auxílio necessário, dentro do foi possível, diante do que víamos. No entanto, eu nunca imaginava que esse ato poderia passar das palavras lançadas pra nós e, passou! 

A depressão, que pode levar a pessoa a desenvolver ansiedade e fobias é um tema bastante recorrente entre aqueles que tiram a própria vida. Eu, na verdade, nem acredito que pessoas que estejam mental, fisica e emocionalmente saudáveis, possam tirar suas vidas. E, neste caso, a depressão já tinha causado um enorme estrago, uma angustia constante, as escolhas ruins martelando naquela mente to-do san-to di-a. Ainda tinha a recusa, a soberba, a negação, a falsidade, o rancor....sentimentos estes que foram se emaranhando, se interpondo, se aglomerando e tomando conta do corpo, da mente, da vida!

Foi triste! É triste! Será sempre triste! Esse dia foi um marco em minha vida...um marco de sentimentos ruins e tristes, que por vezes me sufocam. Esse dia me trás também sentimentos mistos em relação a quem foi e a quem ficou. Me pego muitas vezes no "E SE...". Mas, nas entrelinhas da minha psicóloga - e se - é um tempo entre passado, presente e futuro que NÃO EXISTIU, NÃO EXISTE, E NUNCA VAI EXISTIR! 

Quando leio "falar é a melhor solução", ou "você não está sozinho", e olho para minha tia hoje - pessoa com DH, dependente, com sequelas consideráveis de demência, hostil e coberta por dentro e por fora com aqueles sentimentos ruins que mencionei antes - penso....ele esteve muitos anos sem ter com quem falar e sozinho. Mui-tos! Mas sim....ele escolheu isso e, o que por vezes me tira da minha própria depressão diante dessa história toda, além de escrever e falar é, ter a certeza que ele fez essas escolhas bem antes de ter a depressão e a ansiedade como suas companheiras de jornada.

Mesmo assim....eu estive lá para dar minha mão, oferecer minha ajuda e acolher. Mesmo diante de todas as questões familiares, de todo o pouco caso, de todas as mentiras e omissões, de todo o desserviço que ele prestou a ela e a ele próprio, eu estive lá para estender a mão. Como pude eu tentei! 

A parte ruim da pósvenção - que é o suporte para enlutados de pessoas que tiraram sua própria vida - é essa compreenção da "não culpa". É compreender que poderia acontecer independente de....e, que não tivemos culpa. Ainda me sinto culpada algumas vezes, em outras tento me acolher ao máximo. Minha coluna dói, meu sono não é o mesmo e minha vida mudou drasticamente....pois passar os dias tentando esquecer, ou querendo não lembrar dá um desgaste emocional enorme. A cena e tudo o que a envolve desgastam demais. Mas estamos seguindo....

Mais importante de tudo o que eu escrevi é...nunca duvide! Se você tem pessoa próxima que apresenta sintomas de depressão, ansiedade ou que fale abertamente que não quer mais viver, procure ajuda, apoio especializado. Perder alguém dessa forma é muito pior que qualquer tipo de apoio em vida, acredite!

Algumas informações que julguei pertinente para que você tenha a real dimenção do que estou dizendo:

  • Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos.
  • Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral.
  • O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.
  • 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.
  • Ingestão de pesticidas, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns de suicídio em nível global.

    Cuide-se e, cuide dos seus! Prevenção é a melhor alternativa....

    Bom dia para os pensadores de plantão!


    Dados do texto: https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio

    Imagem: https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=412992

    terça-feira, 29 de junho de 2021

    Qual o tamanho dos seus problemas?


    Já passou por algo realmente difícil? Um daqueles problemas que são muito difíceis, sem solução talvez....

    Certa vez, estudando um pouco de disciplina positiva, querendo que Alice, Laura e eu sobrevivêssemos umas às outras (rsrs), ouvi uma especialista que disse: "ensine a criança à classificar o problema". Ela dizia que poderíamos dizer às crianças que 1) o problema poderia ser fácil de solucionar; 2) o problema de nível médio - aquele que tem solução, mas vai dar um trabalhinho; 3) problemas de difícil solução, ou por não termos as ferramentas, ou por não termos os recursos para resolver; e 4) o problema sem solução. 

    Eu experimento classificar os problemas da minha vida desde que ouvi essa orientação, que era pra usar com as filhas, mas que me serve muito! Também tento dar prazos para as resoluções dos problemas, além de refletir bastante com as minhas filhas: "esse problema foi fácil de resolver!" Ou, "esse problema nós conseguimos resolver?". Ou ainda, "esse problema é fácil ou difícl de resolver?". Juro que essa "técnica" facilita ao olhar para uma determinada situação que precisa de resolução.

    Dentro do universo da criança, obviamente os problemas se classificam de maneira distinta dos problemas no universo dos adultos, mas todos são problemas! Por exemplo, se a minha filha quiser dirigir nosso carro agora, esse problema não se soluciona imediatamente, logo, para agora ele não tem solução. Se ela quiser que eu a leve para dar uma volta de carro no fim de semana é fácil resolver. Se o brinquedo dela quebra ela vai chorar como se fosse o fim do mundo, e para ela é. Mas eu classificaria como fácil de resolver: consertar o brinquedo! Estou dando exemplo entre adultos e crianças, mas entre os próprios adultos essas classificações são distintas e, normalmente quando crescemos ouvimos que, o único problema sem solução é a morte!

    De fato, para a morte não há solução, e quando passamos por experências que envolvem a dor do luto - e muitos de nós já passamos por esse tipo de dor - acho que estabelecemos novas "classificações" às situações da vida. Há uns bons anos, tive um namorado que terminou o nosso relacionamento por e-mail (imagine isso!). Na época esse problema "não solucionável" me doeu por tanto tempo até que experimentei um luto inesperado e, essa sim era uma questão não solucionável, de uma dor profunda. Perder a Paula me colocou numa situação tão difícil que não tinha dor que superasse isso. 

    E, a vida é isso né!? Quem se prepara para um problema não solucionável? Nem a criança que quebra o brinquedo e nem o adulto que enfrenta o luto! Mas, nossa vida é assim: um acúmulo sem fim de experiências, de problemas/ situações fáceis, medianos, difíceis ou sem solução..... Cada um de nós vai guardando na memórias as situações pelas quais passa e, vai dando novos sentidos e significados ao que sente. E, claro, não somos feitos somente das memórias ruins, dos problemas difíceis, das sensações de tristeza mas, acho incrível a potência que estes têm sob nosso corpo; a capacidade enorme de ficar como um mantra surgindo em nossa mente. 

    Isso pra dizer que, quando olho pra trás e penso no enorme problema que vivenciei, tenho algumas certezas dali: era um problema de difícil solução e, se tornou um problema sem solução. E, por não ter conseguido resolver, simplesmente por que não dava e não dependia apenas de mim, a sensação de incapacidade, frustração e vazio, resultam em tristeza...uma grande tristeza, que ressoa o tempo todo no meu cotidiano. 

    Por outro lado, essa situação, esse trauma "reclassificou" os problemas em meu imaginário, pois passei a olhar com mais cautela ainda o que seriam problemas fáceis, medianos ou difíceis. Seguramente a gente passa a "reclamar" menos do que acha difícil e eu passei. Acho que isso é o que chamam de resiliência. O nome é bonito, todos falam dela, mas a resiliência não é algo fácil, tão pouco simples e seu tamanho e potência não cabem numa palavra. Pra ser resiliente, a gente normalmente experineta problemas difíceis e sem solução. E, com certeza aqueles que não são solucionáveis, só dizem mesmo respeito à morte!

    Para os amigos e amigas....eu estou bem, triste, mas bem! Assumir minha dor é um problema solucionável com compreensão e carinho....

    Para os leitores que chegaram até aqui....esse texto é mais que uma reflexão, é uma experiência com um problema de solução muito difícil que se tornou insolucionável, infelizmente! E, sigo em meu luto....

    Boa noite!


    Créditos da Imagem no início do texto: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/depressao-e-suicidio-ainda-sao-tabus-para-os-homens-e-jovens-no-brasil/


    domingo, 9 de maio de 2021

    Um passo de cada vez - é assim que se anda!

    Um passo por dia....

    E, assim tem sido os dias....alguns doem mais, outros doem menos, tem dia que dói muito (muito mesmo), e dia que passa como uma memória antiga....mas, não teve um dia sequer que consegui esquecer, ou deixar de pensar! Não me esforço para lembrar, mas é difícil de guardar numa gaveta, trancar e jogar a chave fora.... 50 dias!

    Já se passaram 50 dias....

    O que eu mais tive nesses 50 dias foram momentos de sair do corpo e viajar. Sabe aquele olhar distante que a gente vai longe e quem vê de fora pensa que a gente virou estátua? Exatamente isso..... 50 dias parecendo estátua, pensamento longe, indo e voltando....

    As lembranças vão e voltam....

    Nesse vai e volta, viajo por partes diferentes da minha mente. Ás vezes, vou até o passado, tem hora que vou até a ala das suposições, também tem o andar do "e se" - que é aquele lugar que não existe nem no passado, nem no presente e nem no futuro, mas existe na nossa mente! Eu também perpasso pela vida real imaginada de outra forma totalmente diferente... e, além disso, remonto ao andar onde se encontram as minhas dores mais profundas. 

    E que dor é essa!?

    Eu sei que essa dor vai passar - ela tem diminuído gradativamente. Além disso, tendo experimentado outras angústias, outros momentos de tristeza, essas experiências ensinaram que as dores passam, ou doem menos depois de um tempo, e o único remédio é esse mesmo, o tempo! E, já senti uma dor parecida com essa....

    A dor de estar deprimida....

    Já passei por um quadro de depressão e, talvez essa tenha sido minha dor mais complexa. Estar deprimida, angustiada nos coloca numa situação de se sentir frequentemente "sem saída". Não sabia como e nem encontrava motivos para sobreviver...e isso é muito dolorido, muito grave, acredite! Então, isso me leva a crer que eu, mais do que ninguém, sabia sobre a sua dor. Eu tinha uma boa idéia do sofrimento pelo qual passava, mas sem dimensão da itensidade. Mas, eu, diferente de você, permiti que as pessoas me ajudassem. Eu, diferente de você abri meu coração. Eu, diferente de você permiti que as barreiras que eu construí fossem rompidas. Eu, diferente de você assumi logo de cara que tinha medos, defeitos, e assumi que precisava de ajuda!

    E como é bom ter ajuda!

    Escutei as pessoas que me amavam, aceitei as ajudas que podiam me dar e fui me tratar. Tratei aquele problema e, outros surgiram....fui tratando cada um a seu tempo....e ainda os trato. Você, e ela, foram um dos "problemas" que eu tratei, acredite! E, quando eu, enfim "me curei de voces", eis que surgem novamente. Foi difícil traze-los para as sessões terapeuticas novamente, e agora continuarão nelas por um bom tempo, presumo. Eu vou precisar de ajuda, eu sei (e tenho aceitado todas). Tenho a família, os amigos e amigas e a terapia.... Isso, não é nem de longe o que eu imaginei, mas é da forma que é.

    Aquilo que é, mas não precisava ter sido...

    Você será um problema resolvido, eu sei, e aposto nisso! Mas, minha dor (a maior delas em relação a você e, a ela também) é que poderia não ser um problema. Poderia nunca ter sido um problema. Poderia não ter se tornado um problema ... E, talvez eu passe o resto da minha vida, não procurando respostas, ou tentando entender meios, motivos e fins, mas chateada em saber que poderia ter sido diferente e, não foi!

    E, os dias continuarão passando, as vidas seguindo e, eu resolvendo esses "problemas", um dia de cada vez, um passo atrás do outro.

    Mais uma carta para você - Luis. 
    Siga em paz nos passos que escolheu!!




    Aos queridos colegas, amigos e amigas que sempre se dispõem a ler meus pensamentos...boa noite!

    E, para as mamães, Feliz por nosso dia. Sigo firme e forte na maternidade, pois como eu já mencionei, apesar de dor e lembranças, escolhi andar para frente....vida que segue!





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